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506 anos da Reforma Protestante: a maior convulsão religiosa de todos os tempos

*Por Alderi Souza de Matos

A Reforma Protestante foi um movimento que impactou o mundo e a Igreja. Há 506 anos, Martinho Lutero pregou suas 95 teses na porta de uma igreja e desencadeou a maior convulsão religiosa e intelectual e cultural de todos os tempos, que fragmentou a Europa católica, estabelecendo as estruturas e crenças que definiram o continente na era moderna. Será que o movimento reformista, que ficou conhecido a partir de Martinho Lutero, ainda queima no coração da Igreja?

Monumento de Martinho Lutero, em Wittenderg, na Alemanha – (Ilustração: Reprodução)

Por que muitas nações usufruem dos benefícios da democracia representativa? Por que existem universidades antigas e renomadas com as de Harvard e Princeton? Por que a Bíblia nos últimos séculos se tornou disponível a centenas de povos e etnias que não a conheciam? Essas são algumas perguntas, entre muitas outras, cuja resposta é, no todo ou em parte: “por causa da Reforma Protestante”.

A Reforma foi o grande movimento de renovação e restauração da Igreja ocorrido na Europa, no século 16, sob a liderança de homens como Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio, João Calvino, entre outros. Eles se convenceram de que a Igreja do seu tempo, embora surgida nos primórdios da era cristã, havia se afastado em aspectos importantes dos ensinos de Jesus e de Seus apóstolos, contidos no Novo Testamento.

Para eles, o entendimento da salvação, a espiritualidade e o culto do final da Idade Média não mais faziam justiça ao Evangelho, à mensagem cristã. Seu ponto de partida foram a redescoberta e a nova valorização da Escritura, a fonte original e legítima da fé cristã.

“A Reforma não foi uma inovação da igreja, mas uma volta às Escrituras. Seu propósito foi fazer uma correção de rota e seguir pelas mesmas pegadas trilhadas pelos apóstolos”, explica o pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes. 

A Palavra de Deus, inspirada e normativa, deveria servir de critério supremo para determinar as convicções e práticas da Igreja. No que diz respeito ao relacionamento com Deus, os reformadores insistiram que a salvação é totalmente uma dádiva da graça de Deus, a ser recebida somente por meio da fé, sem a necessidade de qualquer colaboração ou complementação humana. Eles também entenderam que todo cristão verdadeiro é um sacerdote ou ministro de Deus, não dependendo de nenhum intermediário humano, mas somente de Cristo.

A Reforma não pretendia dividir a única Igreja que existia no Ocidente, mas o seu compromisso com o Evangelho levou a esse resultado. A nova liberdade de estudar a Bíblia também gerou diferentes interpretações de certos pontos doutrinários, produzindo diversas correntes no novo movimento: luteranos, reformados suíços, anabatistas (também na Suíça) e anglicanos.

Embora tenha sido um fenômeno primordialmente religioso, a Reforma teve importantes desdobramentos políticos, econômicos e sociais. Os principais reformadores trabalharam em estreita cooperação com os magistrados ou governantes civis, daí terem ficado conhecidos como “reformadores magisteriais”.

Gerações mais tarde, seus ensinos e práticas levaram à separação entre Igreja e Estado e ao desenvolvimento das modernas instituições democráticas.  A Reforma Protestante cultivou valores que resultaram em grande prosperidade econômica para as nações que a abraçaram, bem como notáveis progressos nos âmbitos da ciência, da arte e da ética social.

Foi particularmente valiosa sua contribuição para a educação, a partir do pressuposto de que as pessoas também deviam glorificar a Deus mediante o cultivo da mente, da vida intelectual. Sem deixar de reconhecer que a Reforma teve suas falhas e limitações, os protestantes ou evangélicos veem muitos motivos para celebrar e render graças a Deus pelo quinto centenário do seu movimento.

Suscintamente, citamos dois nomes de reformadores que antecederam o movimento do século XVI: John Wycliffe, no século XIV, colocava em questão o status privilegiado do clero católico, que exercia um poderoso papel na comunidade inglesa, e ‘gritava’ em desfavor do luxo e da pompa das paróquias locais e suas cerimônias. Jan Huss, no século XV, outro precursor do movimento protestante, iniciou um movimento religioso baseado nas ideias reformistas de John Wycliffe. Os seus seguidores ficaram conhecidos como os Hussitas. Ele foi executado em 1415.  

As 95 Teses de Lutero são uma lista de proposições para uma disputa acadêmica, as quais iniciaram um grande e efetivo movimento, e que discorriam sobre as proposições de Lutero contra o que ele entendia como práticas abusivas por parte dos pregadores, que realizavam a venda de indulgências, que tinham a finalidade de reduzir a punição temporal de pecados cometidos pelos próprios compradores, ou por algum de seus entes queridos no purgatório. Este grande movimento despertou o olhar de outros teólogos e pensadores, e encorpou o impacto reformista no âmbito do cristianismo. Senão vejamos:

Jehan Cauvin (João Calvino, 1509 – 1564), foi um influente teólogo protestante francês, que, por causa da perseguição religiosa, fugiu para a Suíça onde fundou o Movimento Calvinista, também chamado de Teologia Reformada. Ele ensinou milhares de estudantes de Teologia em sua academia, fundada em 1559, em Genebra.

Philipp Melanchton (Philipp Schwartzerdt, ‘terra preta’ em alemão, por isso adotou o Melanchton), foi um filósofo e teólogo que redigiu a Confissão de Augsburg, em 1530, e tornou-se o principal líder do luteranismo após a morte de Lutero.

Ulrich Zwingli (Zwinglio, ou mesmo Ulrico Zuínglio, 1484 – 1531), foi o líder da Reforma na Suíça, e um opositor às doutrinas católico-romanas, especialmente a veneração de santos, as promessas de curas, a venda de indulgências e o celibato.

Outros nomes sucederam a obra acelerada por Lutero em decorrência às suas 95 Teses: Thomas Müntzer (1489 – 1525); Martin Bucer (1491 – 1551); Johannes Brenz (1499 – 1570); Johanns Bugenhagen (1485 – 1558), dentre outros.

 

*Alderi Souza de Matos é doutor em Teologia (Th.D.) pela Universidade de Boston, professor do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (São Paulo) e historiador da Igreja Presbiteriana do Brasil.

 

Fonte: Comunhão

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